Reflexão Época 2018/2019

"Ninguém desiste de bola nenhuma” Coach Ana Vital


Embora a época tenha terminado no dia 11 de julho de 2019, ainda não tinha realizado a habitual reflexão anual, que normalmente faço no final de cada época. Já em plena preparação da Época 2019/2020, com grande vontade de continuar a trabalhar em prol das nossas jogadoras e do basquetebol, modalidade que todos adoramos.

Parece-me bastante apropriado neste dia pós título do campeonato da Europa Sub-20 – Divisão B, fazer uma breve analogia e retirar algumas ilações relativamente ao fenómeno “mostrar resultados”. Claro que a seleção alcançou um feito histórico, mas não de vencedores e de primeiros lugares, se escrevem as histórias do “basket”. Se queremos falar de resultados, sem retirar importância a ninguém, nem a nenhum dos protagonistas, de quem todos nós portugueses nos orgulhamos e congratulamos, a subida à divisão A, a principal, onde jogam os melhores e ainda por cima com a cereja no topo do bolo, o título de campeão europeu. Há bem pouco tempo, em Itália, a nossa seleção feminina sub-25, alcançou um outro feito histórico, não a nível europeu, mas a nível mundial. Falou-se pouco, terceiro lugar alcançado nas Universíadas, a jogar contra seleções fortes e com grande tradição basquetebolística, a nível MUNDIAL!

Há conquistas mais importantes, muito mais…

O que é que entendo como mais importante ressalvar destes resultados, das nossas seleções:

- A MENTALIDADE E RESILIÊNCIA DOS (AS) ATLETAS

- A ENORME CAPACIDADE E COMPETÊNCIA DAS EQUIPAS TÉCNICAS

Nada disto foi obra do acaso, nada disto aconteceu porque sim, existe trabalho, esforço, dedicação e tudo o resto que poderíamos passar aqui a enumerar. Não o vou fazer, mas irei porém, fazer a tal analogia para a época competitiva da nossa equipa sub-19.


Destaques Coletivos

A equipa sub-19 da CB Montijo, alcançou o 3º lugar na Fase Final da Taça Nacional, onde jogaram as equipas que não conseguiram apurar-se para o Campeonato Nacional do referido escalão, mas que ainda assim competiram a nível nacional. Alcançamos 11 vitórias consecutivas numa competição nacional, com uma equipa muito inexperiente e com uma faixa etária muito baixa, com atletas sub-16 a fazerem parte da mesma. A AB Lisboa colocou 6 equipas nesta competição e todas foram eliminadas. Podem tirar-se as ilações que quiserem. Para mim, significa trabalho, competência, mentalidade e resiliência! Conseguem ver agora as semelhanças? Conseguir montar uma equipa sub-16, a meio da época, em que 50% da equipa é constituída por miúdas que nunca tinham jogado basquetebol federado, nem tão pouco competido em nenhum tipo de sistema. Mais uma vez, é trabalho, empenho e resiliência! Manter atletas de mini basquete, fidelizados à modalidade em 3 e 4 épocas consecutivas e conseguir enquadrar, receber e acolher novos atletas em qualquer uma das nossas mini equipas. Isto sim é muito importante!


Tivemos uma atleta sub-14 presente na final nacional de Lances Livres, em Lisboa.

Isto de alcançar resultados é importante?

Muito, como veículo motivador e promotor da modalidade de basquetebol, sem dúvida! Principalmente num clube da nossa dimensão.


É o mais importante? Para mim, jamais!!!


E agora poderíamos dizer blá, blá, blá (…) fica bem dizer isso, é cultural e socialmente a postura correta. Desenganem-se, aqui não está em causa a postura, mas sim uma forma de estar na vida e no desporto, minha e de todos os que ao longo dos vários anos (poucos, apenas cinco) me têm acompanhado, nesta teimosa e resiliente caminhada.

O Desporto não tem, não deve e não pode ter como objetivo final, ganhar simplesmente medalhas e taças. A meta não deve ser obviamente “ganhar a qualquer custo”, na formação, e/ou não só…

Aprendemos ao longo destes cinco anos, que os resultados são uma consequência de tantas outras coisas que atrás não enumerei. Os clubes, os treinadores, assim como os dirigentes e os pais, devem ajudar no desenvolvimento da modalidade e não é esta modalidade de formação por excelência que deve servir de elevação de atletas e treinadores.

Devemos almejar a perfeição, querer ser melhores, técnica e taticamente mais competentes, sem sombra de dúvidas.


Mas esta seleção sub-20 provou que o talento que existe e é inegável, sobressai quando os valores se elevam, quando a “EQUIPA” funciona (“como uma família”), os jogadores talentosos, todos eles, destacaram-se NATURALMENTE!!!!!

Outra das questões que foi enfatizada por vários intervenientes, recordo: “A FORMAÇÃO PESSOAL EXEMPLAR DESTES ATLETAS”. Esta é que deverá hoje e sempre ser a META nos escalões de formação, da modalidade de basquetebol.

Quanto à seleção nacional sub-25 de que falei mais atrás nesta reflexão, treinou, aqui mesmo, no Montijo, no “nosso pavilhão”, durante uma semana, orientada por dois técnicos de excelência, pena que poucos tivessem sido os que tiveram a oportunidade de assistir e partilhar esta experiência.

Estas jogadoras sub-25 e estes jogadores sub-20 voltam a ter algo em comum, além dos feitos históricos que alcançaram:

· A sua formação pessoal;

· A sua capacidade de resiliência;

· A sua mentalidade de treino e competitiva.


Não posso terminar sem elevar o que para mim foi um feito notável, o facto de uma treinadora estagiária, ter terminado o seu percurso formativo nos escalões de formação, enquanto jogadora e ter iniciado o seu percurso de treinadora. Para mim enquanto sua treinadora nos últimos 8 anos e de ter partilhado com ela muitas tristezas e muitas alegrias, esta é a maior vitória de todas, ter alguém ao meu lado que irá jogar basquetebol no escalão de seniores e que irá ficar ligada à modalidade, enquanto treinadora, demonstrando toda a sua paixão a jogar e a ensinar!!!


Termino a agradecer a todos os que nos acompanharam esta época, atletas, treinadores, dirigentes, pais, amigos e adversários, que nos permitiram crescer e sermos felizes!

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